O que The Pretenders alcançaram na música é inegável, mas sua história permaneceu em grande parte não contada em filme até agora. The Pretenders, um novo documentário dirigido por Joss Crowley, estreia no Toronto International Film Festival, traçando as origens da banda desde as raízes de Chrissie Hynde em Akron no final dos anos 70 até sua formação no Reino Unido e os anos subsequentes de obras-primas musicais, mudanças na banda e perdas trágicas. Embora se concentre na formação original e em seus primeiros cinco anos, o filme leva o público ao presente de Hynde, mostrando seu talento duradouro.
Hynde, notoriamente reservada e avessa a câmeras, apresentou um desafio significativo para Crowley. O diretor perseguiu o projeto por mais de uma década, finalmente garantindo o acordo de Hynde no final de 2023. Hynde estabeleceu regras claras: o filme deveria depender fortemente de imagens de arquivo, focar na narrativa da banda em vez de sua vida pessoal e evitar clichês como 'mulheres no rock'. Sua decisão de participar foi em parte impulsionada por um documentário não autorizado que tentava contar a história da banda, o que a levou a garantir um retrato preciso.
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Uma motivação comovente para Hynde foi homenagear James Honeyman-Scott, o guitarrista original da banda que morreu tragicamente em 1981. "Para mim, uma banda de rock é tudo sobre guitarra elétrica, e acho que ele foi um dos grandes heróis da guitarra", afirmou Hynde, lamentando sua ausência nas listas dos melhores guitarristas. "Achei que ele não recebeu o devido reconhecimento e isso seria importante para ele."
Apesar de sua relutância inicial, Hynde concordou com uma breve entrevista em vídeo na conclusão do filme, um compromisso que Crowley acredita refletir sua personalidade. A própria Hynde admite que não assistiu ao filme e provavelmente não o fará, um sentimento comum entre os entrevistados de documentários. "Já vivi tudo isso, então não acho que quero passar por tudo de novo", explicou ela, observando também sua aversão ao som de sua própria voz ao falar.
Hynde enfatizou seu desejo de permanecer uma pessoa comum, evitando as armadilhas da celebridade. "Gosto de estar em uma banda, só não gosto de ser observada. É um problema real", ela compartilhou, destacando sua preferência por transporte público e prazeres simples em vez de um estilo de vida luxuoso. Ela resiste a ser uma porta-voz ou símbolo, afirmando: "Eu só queria estar em uma banda. Nunca fui além desse interesse inicial nisso."
O documentário fez um avanço significativo com a descoberta de imagens nunca antes vistas do cinegrafista Andy Watt, documentando duas semanas em turnê com a banda original. Além disso, a participação de Stan Tippins, ex-empresário da banda, que leu em voz alta seus diários detalhados, forneceu informações inestimáveis sobre os primeiros anos, particularmente sobre Honeyman-Scott e Pete Farndon. Hynde expressou seu entusiasmo em ver as partes com os diários de Stan, reconhecendo seu papel vital como o "homem sábio" da banda.
Crowley incluiu intencionalmente momentos em que Hynde se recusou a discutir certos tópicos sensíveis, como Ray Davies ou sua família, por respeito à privacidade deles. Hynde mantém que nunca estabelece limites com jornalistas, mas reserva o direito de recusar-se a responder a perguntas pessoais, enfatizando que uma história pública não é inerentemente mais interessante do que uma comum.
Ao longo de sua carreira, Hynde permaneceu consistente, inspirando-se em figuras como Lemmy e Neil Young, que nunca comprometeram sua autenticidade. "Se você não pediria para Lemmy fazer isso, não me peça", ela brincou, referindo-se ao seu desprezo pelo comercialismo.
Crowley buscou capturar a personalidade única de Hynde no filme, abraçando qualquer estranheza como parte de seu caráter genuíno. Ele também fez a escolha incomum de incluir suas próprias perguntas, especialmente aquelas que Hynde inicialmente resistiu, acreditando que isso oferecia mais insights sobre quem ela é. A própria Hynde reconheceu a evolução do processo de entrevista, de monólogos livres para conversas mais estruturadas. Ela concedeu a inclusão de algumas entrevistas em vídeo, entendendo o desejo do público de ver os entrevistados falando diretamente para a câmera.
Crowley resumiu seu objetivo: "Torná-lo bom e torná-lo diferente." Dada a aversão de Hynde a câmeras e a escassez de imagens de arquivo antigas, alcançar isso foi um feito considerável. A entrevista final em vídeo com Hynde serve tanto como uma conquista para o filme quanto como um testemunho de sua inabalável privacidade.
Hynde, juntamente com o baterista original Martin Chambers, planeja comparecer à estreia em Toronto, prometendo que "não será um concurso de beleza".
