Há uma deliciosa ironia no cerne de "The Debut", o mais recente trabalho de direção de Jesse Eisenberg, que estreou com aclamação da crítica no Festival de Cinema de Telluride. O filme centra-se em um indivíduo aparentemente insignificante que aborda um pequeno papel com a intensidade de um papel para toda a vida. Essa metanarrativa agora se encontra como um verdadeiro concorrente a Melhor Filme, potencialmente catapultando Julianne Moore e Paul Giamatti para a disputa do Oscar.
O filme de Eisenberg é um sonho febril, descrito como uma mistura de "Black Swan" e "Whiplash" à la "Waiting for Guffman" de Christopher Guest, tudo encenado dentro de um falso musical e ambientado em um centro recreativo de Nova Jersey. Julianne Moore interpreta Mona Friedman, uma dona de casa recatada que não canta em público desde os tempos do coral da igreja, apenas para ser inesperadamente escalada para uma produção de teatro comunitário. Ela então se transforma em uma atriz de método zelosa, pronta para travar guerra por seu papel marginal. Paul Giamatti interpreta Jerry, o diretor tirânico, comicamente anunciado como o maior nome do teatro comunitário de Nova Jersey. O filme transita magistralmente do engraçado para o selvagem, depois inesperadamente comovente, solidificando o talento de Eisenberg para criar poderosas vitrines de atuação, muito parecido com seu sucesso anterior com Kieran Culkin em "A Real Pain".
A24 agendou "The Debut" para lançamento em 11 de dezembro, uma jogada estratégica de um estúdio conhecido por seu jogo de longo prazo na temporada de premiações. A A24 desafiou as expectativas duas vezes, transformando "Moonlight" e "Everything Everywhere All at Once" em campeões de Melhor Filme. Com "The Debut", eles possuem um concorrente amplamente atraente, apresentando dois dos atores mais reverenciados da atualidade.
Julianne Moore, cinco vezes indicada com uma vitória por "Still Alice" há mais de uma década, está rapidamente emergindo como uma das favoritas para Melhor Atriz. Sua interpretação de Mona é um tour de force tragicômico que lembra os eleitores de seu talento inigualável. Destemida e totalmente comprometida, a atuação de Moore arrancou aplausos espontâneos durante duas cenas separadas na exibição de Telluride, um claro indicador de seu impacto. Uma sexta indicação parece automática, com uma segunda vitória no Oscar uma possibilidade muito real, especialmente dada a recente facilidade da Academia em conceder múltiplas estatuetas de atuação.
A jornada de Paul Giamatti é diferente, e talvez mais doce, enquanto ele busca seu primeiro Oscar. Apesar de ser um dos atores mais admirados de sua geração, sua esnobada em "Sideways" continua sendo um notável descuido. Em "The Holdovers", ele perdeu para o gigante "Oppenheimer". Como Jerry, ele entrega uma atuação mais chamativa e citável: o arquétipo do mentor monstruoso que rendeu um Oscar a J.K. Simmons em "Whiplash", mas com uma camada extra de coração. Sua frase, "É onde todo mundo quer estar… centro do palco", encapsula perfeitamente o tema do filme. O caminho mais provável para Giamatti vencer parece ser na categoria de ator coadjuvante, espelhando o sucesso de Culkin para Eisenberg dois anos antes.
"The Debut" é menos um musical tradicional e mais uma comédia selvagem sobre um, ambientado no mundo de um show original, em vez de um livro de canções completo. Essa distinção é crucial. O filme ostenta talentos impressionantes nos bastidores, com Drew Daniels de "Anora" cuidando da cinematografia e Emil Mosseri, um indicado ao Oscar por "Minari", compondo a trilha sonora. O elenco é ainda mais enriquecido pelas veteranas da Broadway Bernadette Peters e Halle Bailey. Eisenberg, ele próprio um indicado ao roteiro por "A Real Pain", criou outra história original que parece muito maior do que sua sinopse sugere. Ele combina a essência de um filme leve de Tarantino com o DNA de "Stranger Than Fiction", chegando a Telluride com promessa e saindo com o status de potencial favorito.
O velho adágio teatral, "Não existem papéis pequenos, apenas atores pequenos", é transformado em uma tese convincente em "The Debut", desafiando o público e a Academia a discordar. Sua vez, Academia.
